Volume de chuva é insuficiente para amenizar a seca no RS
| Após 70 dias de estiagem no Rio Grande do Sul, chuva foi bem recebida nesta terça-feira. |
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Novo Hamburgo - A contagem regressiva para a chegada da chuva na região terminou pouco antes das 9 horas de ontem. Após um amanhecer com o tempo nublado e abafado, os primeiros pingos já serviram para transformar a paisagem hamburguense, especialmente no bairro rural de Lomba Grande. Entretanto, apesar das plantas e plantações respirarem aliviadas com a precipitação considerável que não acontecia há 70 dias, peixes agonizaram por causa do deslocamento da água podre do Arroio Pampa para o Rio dos Sinos, na altura da Vila Integração, em Novo Hamburgo. A MetSul Meteorologia informou que choveu 17,4 milímetros e que poderá voltar a chover nesta quarta-feira, inclusive com possibildiade de temporal.
Conforme a previsão, há a possibilidade de chuva forte hoje e amanhã e também alagamentos em alguns locais. Na quinta à tarde, a chuva cessa com a chegada de vento moderado, com possíveis rajadas mais intensas, com temperatura de aproximadamente 15 graus. Já a sexta-feira será sol e nuvens, com temperatura bastante baixa. De acordo com a MetSul a mínima no Vale do Sinos será de oito graus e a máxima 14 graus.
O fim de semana terá tempo seco, com possibilidade de geada em algumas área rurais da região. Nas madrugadas, a temperatura poderá cair para cinco graus. No domingo à tarde, o sol aparece e aquece um pouco mais.
LA NIÑA - "Na prática, o processo de estiagem sofre uma interrupção, mas seus efeitos ainda persistem", diz o meteorologista Luiz Fernando Nachtigall. "Não será um evento único capaz de reverter as conseqüências de uma estiagem de meses no Estado". Segundo ele, a chuva ocorreu no momento em que o padrão atmosférico no Oceano Pacífico deixa de ser de La Niña. Dados indicam a diminuição da chuva no Brasil Central, o que deve repercutir em maior aporte de umidade para o Sul do País. "Este é dado crucial. O cenário que favoreceu a seca dos últimos meses começa a se alterar."
Descartada mortandade de peixes no Rio dos Sinos
Conforme o secretário de Meio Ambiente de Novo Hamburgo, Ernani Galvão, o ingresso da água escura do Arroio Pampa no Rio dos Sinos, verificado nesta terça-feira, não resultará em grande quantidade de peixes mortos. "Com o aumento do volume de água no Pampa, era inevitável a lavagem do arroio e o despejo do esgoto cloacal e industrial no Sinos", explica. "Mas isso não resultará em mortandade."
Segundo ele, as mortes dos peixes, que às 10h30 de ontem saltavam na água em busca de oxigênio no Balneário da Figueira, na Vila Integração, serão detectadas a partir desta quarta-feira.Para o secretário, o volume de chuva da manhã de ontem foi considerado bom.
Bombeiros abastecem localidades de Taquara
Em Taquara, a torcida agora é para que a chuva continue. A rotina praticamente é a mesma desde a segunda quinzena de abril: poupar e economizar água. No distrito de Fazenda Fialho, no interior do município, onde os poços artesianos secaram devido a estiagem, em torno de 30 famílias dependem do trabalho do Corpo de Bombeiros. Todos os dias, ao amanhecer ou entardecer, uma equipe se desloca por 23 quilômetros até as residências para abastecer as caixas d’águas. Diariamente são distribuídos em torno de 300 mil litros de água na localidade. Já em Rodeio Bonito, o abastecimento de água ocorre conforme as solicitações dos moradores. No Quilômetro Quatro, as residências são abastecidas a cada três dias.
No entanto, á agua é imprópria para beber e as famílias dependem da solidariedade de vizinhos que possuem poços artesianos que ainda não secaram, ou ainda da rede de abastecimento da localidade de Morro Negro. "Quando não chove, o poço seca. Quando não se tem água é que se dá valor’’, relata a aposentada Iraci Rosa da Silva, de 68 anos.
Volume insuficiente para amenizar a seca
De acordo com a Defesa Civil, choveu em todo o Rio Grande do Sul nesta terça-feira. No entanto, a chuva em 52 dos 219 municípios em situação de emergência em virtude da estiagem apenas amenizou a seca. Destes, os maiores níveis pluviométricos ocorreram em Bagé (80 mm), Cerrito (60 mm), Pedro Osório (60 mm), Arroio do Padre (39 mm), Mostardas (32,4 mm), Quaraí (31 mm), Capão do Leão (30 mm), Hulha Negra (30 mm), Morro Redondo (30 mm) e Piratini (30 mm).
Para o coordenador regional da Defesa Civil de Passo Fundo, que abrange 107 municípios do Norte, Aurivan Chiocheta, a chuva na região foi considerável, mas deveria haver mais regularidade para resolver a situação. A opinião do coordenador regional do órgão em Santo Ângelo, responsável por 107 cidades do Noroeste, Vladimir Tessari, é a mesma. "A expectativa é que a estiagem seja minimizada com a continuidade das chuvas."
Foto: Fábio Winter/GES |
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